Por que a Bolsa brasileira caiu menos que outras após o ‘tarifaço’

Por que a Bolsa brasileira caiu menos que outras após o 'tarifaço'

Na Europa, o impacto também foi generalizado: em Londres, o FTSE 100 recuou 2,92%, aos 7.679,48 pontos; o CAC 40, de Paris, caiu 3,34%, a 6.863,02 pontos; e o Ibex 35, de Madri, perdeu 2,43%. Em Lisboa, o PSI 20 fechou com queda de 2,85%, enquanto o FTSE MIB, de Milão, caiu 2,75%, aos 32.730,57 pontos. Já em Frankfurt, o DAX recuou 3%, aos 19.670,88 pontos — mesmo com o avanço das negociações para a formação de um novo governo no país.

Brasil sangrou menos que o resto do mundo

Apesar da pressão externa, o Ibovespa teve desempenho menos negativo que as principais bolsas globais. Desde o início da semana, caiu 5,53% em reais, ou 10,08% em dólares, menos que o S&P500 (-12,14%) e o Nasdaq (-13,26%). Desde a posse de Trump, em 20 de janeiro, o Ibovespa acumula alta de 1,27% em dólar, contra queda de 17,63% no S&P500 e 22,72% no Nasdaq.

Brasil não foi tão impactado. Segundo a economista Paula Zogbi, gerente de research da Nomad, essa “resistência” brasileira tem razões claras: “O Brasil ficou relativamente bem posicionado nesse cenário. Primeiro, porque a tarifa aplicada ao Brasil foi uma das menores, inicialmente de 10%. Segundo, porque somos pouco expostos ao comércio com os EUA — apenas 3,2% do nosso PIB vêm de exportações para lá.”

China busca novos mercados, o que pode favorecer o Brasil. Zogbi também aponta que, à medida que a China busca outros parceiros comerciais para driblar as tarifas, o Brasil pode ser favorecido: “A tendência é que a China passe a comprar mais do Brasil — soja, por exemplo — e também venda mais barato por aqui. Isso tem efeitos positivos e negativos: ajuda exportadores, mas pode pressionar setores como o varejo.”

O peso das commodities e o diferencial de juros

Faz sentido que a Bolsa brasileira caia menos. Ela é dominada por empresas exportadoras de commodities, como Petrobras e Vale. Mesmo com a queda dos preços do petróleo e minério, essas empresas ainda sofrem menos que gigantes industriais como a Apple, que produzem em países asiáticos duramente afetados pelas tarifas.
Josilmar Cordenonssi, professor de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie

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